Nos últimos anos, praticamente todas as esferas da nossa vida foram invadidas pelas tecnologias digitais. Os chamados “nativos digitais” são consumidores ávidos de tecnologia, e essas novas tendências geram preocupação no âmbito educacional, que busca compreender as novas dinâmicas introduzidas pelos dispositivos inteligentes para promover um uso saudável e produtivo dos mesmos. Por isso, um dos principais objetivos do SmartTEAM é promover o desenvolvimento do pensamento computacional, como parte da alfabetização tecnológica de que as crianças do nosso século precisam.

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SmartTEAM – Pensamento computacional
O que é o pensamento computacional?
Trata-se de uma habilidade que inclui alguns conceitos e competências que permitem observar a realidade a partir da perspectiva de um informático ou de um cientista da computação. Para entender esse conceito, pode ser útil pensar no raciocínio lógico-matemático, que permite interpretar e expressar certos aspectos da realidade utilizando ferramentas e operações lógico-matemáticas e, a partir daí, apresentar novas soluções e desenvolver novas ideias. Da mesma forma, o pensamento computacional nos permite abordar a realidade sob a perspectiva da ciência da computação. Alguns autores de destaque se referem ao pensamento computacional como um método de resolução de problemas utilizando ferramentas computacionais. É uma definição muito válida, que ajuda a compreender o conceito, mas é mais interessante falar em abordagem de situações, já que o pensamento computacional não serve apenas para resolver problemas de engenharia, mas é também uma nova forma de expressar as próprias ideias, ou uma maneira de criar novidades neste mundo tão marcado pelas novas tecnologias.
Algumas ideias para ensinar o pensamento computacional
Entre os conceitos associados ao pensamento computacional, podemos incluir a abstração e os modelos de representação, os algoritmos, a decomposição e a modularização, bem como os padrões de repetição. E, entre as práticas ou competências que devem ser adquiridas, podemos citar a capacidade de interpretar um código, ler um programa e identificar padrões de comportamento. Dividir um problema em módulos, projetar uma solução em uma sequência de etapas, otimizar um programa ou encontrar um erro… e poderíamos continuar citando mais alguns. Vejamos a definição desses conceitos e algumas ideias para trabalhá-los em sala de aula.
Abstração
Trata-se de reduzir a complexidade de uma situação, concentrando-se no que é importante, captando informações relevantes e eliminando detalhes desnecessários. A abstração também pode ser utilizada para projetar sistemas de representação: usar uma imagem para representar certos objetos ou uma palavra para representar uma ação. Modelos e simulações podem ser considerados abstrações da realidade. Exemplos: Identificar as habilidades mais importantes de um jogador de futebol e atribuir um valor a cada uma delas. Representar ações como avançar, recuar e pular por meio de imagens. Utilizar uma fórmula para representar o lançamento de um objeto. Interpretar um mapa da rede de metrô da cidade.
Pensamento Algorítmico
É a habilidade envolvida na criação de um algoritmo ou sequência. Um algoritmo é uma série de instruções ordenadas, necessárias para resolver um problema ou executar uma ação complexa. O pensamento algorítmico envolve a identificação de etapas e a previsão de todos os possíveis cenários aos quais um programa deverá responder. Exemplos: Quais etapas são necessárias para fazer um sanduíche? Faz diferença se as etapas forem realizadas em uma ordem diferente? Por que sim ou por que não? Crie um algoritmo que ajude você a decidir o que vestir todos os dias. Crie um algoritmo que possa ajudar a identificar os diferentes tipos de veículos que circulam por uma avenida. Crie um algoritmo para ensinar uma criança pequena a amarrar os cadarços dos sapatos.
Decomposição
Isso envolve dividir um problema em partes menores. Trabalhar com subconjuntos menores de um problema ajuda a reduzir a complexidade. A decomposição também envolve pensar em produtos computacionais que possam ser reutilizados como blocos pré-concebidos em problemas semelhantes. No âmbito da computação, existe a cultura do compartilhamento, que ajuda a aplicar o que foi aprendido na resolução de problemas anteriores a novos problemas, promovendo assim o desenvolvimento das ciências da computação. Exemplos: Identificar todas as tarefas necessárias para assar um bolo. Identificar as etapas de uma viagem de uma cidade da América para uma da Europa, considerando os tempos e os meios de transporte necessários em cada etapa. Crie um videogame com seus amigos. Como você poderia dividir as tarefas? Resolver uma equação matemática complexa, separando a resolução em blocos e unindo os resultados obtidos.
Reconhecimento de padrões
O reconhecimento de padrões envolve identificar e utilizar padrões para descrever e representar sequências em dados ou processos. A identificação de padrões permite a criação de regras para ações que se repetem. Essa ferramenta cognitiva ajuda a simplificar o projeto de algoritmos e favorece a otimização. Exemplos: Qual é o padrão utilizado para desenhar um quadrado? Como esse modelo poderia ser aplicado para desenhar um pentágono? Procure uma canção infantil que repita uma frase várias vezes. Quais partes se repetem na música? Quais partes são variáveis? Existe algum padrão nessa variação? Apresente uma sequência de imagens em que haja uma repetição e peça que identifiquem o padrão.



